A Guiné-Bissau, sendo um dos
países mais pobres do mundo, é confrontado com graves problemas que afectam todos os
sectores económicos e sociais. O sector da saúde não é excepção. A destruição de
infra-estruturas e equipamentos e a falta de quadros técnicos especializados constituem
alguns dos factores que reduziram o sistema nacional de saúde ao estado calamitoso em que
hoje se encontra. Esta situação é agravada pela pobreza extrema em que grande parte da
população vive; cerca de metade da população não tem acesso a água potável,
saneamento básico ou medicamentos para o tratamento de doenças infecciosas graves como a
malária e a tuberculose, o que se vai traduzir em reduzidas taxas de acesso real aos
cuidados de saúde.
As graves carências do sistema de saúde guineense tornam-se
ainda mais evidentes quando abordamos o problema do VIH/SIDA. Nas últimas duas décadas,
a pandemia da SIDA matou mais de 20 milhões de pessoas e infectou 38 milhões. Este
número tende a aumentar acentuadamente nos países que ainda não adoptaram estratégias
de prevenção contra a infecção do VIH. A Guiné Bissau é um destes países. Aliás, o
primeiro grande problema em relação à pandemia da SIDA é a ausência de dados
absolutamente fiáveis sobre a prevalência da doença, realidade esta que se estende à
situação da saúde no país.
Os escassos dados existentes disponibilizados pelas Nações
Unidas (UNAIDS/WHO), que mantém sistemas de observação em algumas estruturas de apoio
à saúde, alertam para o facto de que tem havido um aumento da prevalência do VIH-1 nas
mulheres grávidas (de 0% (1987) para 2,7% em 1995) tendo duplicado em apenas dois anos
(5,2% em 2000). Relativamente ao número de pessoas infectadas a informação é ainda
mais escassa, sendo o número total de 1160 casos (UNAIDS/2000) francamente inferior ao
que se verifica na realidade.
No entanto os poucos dados disponíveis levaram a que a Luta
Contra a SIDA passasse a ser considerada como uma questão crítica para as políticas de
saúde pública e, por isso, deve ser tida como uma das prioridades para a Guiné-Bissau.
No Fórum Nacional de Luta contra a SIDA (realizado em Setembro de 2004) foram
apresentados e discutidos os dados disponíveis sobre a dimensão do flagelo na
Guiné-Bissau e a principal conclusão é alarmante: a taxa de prevalência entre a
população adulta rondará os 10% (estimativa baseada em dados obtidos entre a
população de mulheres grávidas e de dadores de sangue, que apresentam taxas de
prevalência de 7,8% e 11,5% respectivamente).
Para quê?
A luta contra a pandemia da SIDA só poderá ser vencida se a
melhoria dos cuidados de saúde for acompanhada por uma mudança radical da mentalidade e
dos comportamentos da população guineense. Para tal é necessário aumentar a qualidade
e a quantidade de informação sobre a doença, esclarecer sobre práticas comportamentais
e factores de risco, ou seja, investir na prevenção de infecção através de campanhas
de sensibilização junto da população.
Com este projecto pretende-se também lutar contra a exclusão e
o estigma social das pessoas já infectadas.
Para quem?
Toda a população, dando particular atenção às mulheres, às
grávidas e às crianças, profissionais e técnicos de saúde, responsáveis políticos,
líderes comunitários, técnicos de ONG locais.
Como?
O projecto "Acção Vida contra a SIDA" visa a luta
contra o VIH/SIDA na Guiné-Bissau, através da criação de um conjunto de produtos de
informação e de actividades, adaptadas à realidade guineense, que permitam melhorar o
nível de conhecimento e de informação sobre a doença entre sectores chave da sociedade
guineense.
Sendo da responsabilidade da INDE o projecto conta com o apoio
da Fundação Glaxo-Smith-Kline das Ciências da Saúde no cofinanciamento das
actividades.
O Projecto terá quatro eixos de trabalho principais
classificados segundo o grupo-alvo das actividades:
Workshops/Seminários participativos
Acção de Formação sobre ATV (Aconselhamento e teste Voluntário),
Diagnóstico Sindrómico e Tratamento das Infecções de Transmissão Sexual (ITS) e
acompanhamento psicológico de doentes de SIDA
Concepção de produtos de informação sobre a SIDA
Acção de formação para técnicos das ONG
Apoio a grupos locais
Encontros temáticos com parceiros do projecto
Acção de formação para jornalistas
Campanha de comunicação entre os media guineenses
Programas de rádio
Parceiros
Médicos do Mundo Portugal e as organizações
guineenses, REJE - Rede de jovens educadores, RENAJ - Rede nacional de associações
juvenis em colaboração do Secretariado Nacional da Luta Contra a Sida da Guiné-Bissau.