Após 23 anos de ocupação
indonésia, Timor Leste votou a favor da independência, no quadro de uma consulta
organizada pelas Nações Unidas. Mas, se o voto demostrou claramente a vontade dos
Timorenses mais de 80 % de "sim" para a independência o resultado
provocou uma onda de violência das milícias pro-indonésia que destruiram literalmente o
território.
O Projecto de apoio ao regresso dos quadros timorenses actualmente
refugiados em Portugal visa favorecer o regresso dos quadros Timorenses que, depois do
voto a favor da independência, desejam regressar para participar na reconstrução do
novo país. Se muitos têm adquirido no exilio uma formação superior ou profissional,
poucos são os que têm a formação complementar que lhe permitira assumir um papel
activo no processo de reconstrução : constituição e animação de ONGs locais,
relacionamento com os organismos internacionais, elaboração e gestão de projecto...
O Projecto de apoio ao regresso dos quadros timorenses actualmente
refugiados em Portugal oferecerá uma formação específica prévia ao regresso,
centrada nestes aspectos, e um acompanhamento em Timor, em relação directa com os
projectos de reconstrução e de desenvolvimento das organizações timorenses e das ONGs
activas no terreno.
O projecto conta com o apoio da ONG Médicos do Mundo, em colaboração
com MdM França e MdM Espanha, e é financiado pela Comissão Europeia.
Os objectivos
O objectivo geral do projecto é favorecer a reconstrução da nova
nação de Timor Leste, oferecendo aos quadros exilados em Portugal a possibilidade do
regresso depois de uma formação complementar e um apoio à reinserção.
Os objectivos específicos :
Propor a 60 quadros Timorenses em Portugal uma formação específica (temas do
desenvolvimento local, da reabilitação/reconstrução, da gestão do ciclo do projecto,
da animação, da gestão financeira de projecto, da comunicação, e das estruturas
internacionais de apoio ao desenvolvimento), permitindo-lhes de constituir um projecto
pessoal de regresso e de reinserção.
Financiar o regresso dos 60 quadros formados
Apoiar in loco a reinserção dos quadros beneficiários
Permitir o arranque e a dinamização de micro-projectos de desenvolvimento
local em Timor Leste, favorecendo a reinserção de todos os refugiados e a construção
da nova nação
Favorecer as ligações entre os quadros beneficiários, de regresso a Timor, e
as organizações timorenses da diaspora, ou os quadros que teriam decidido continuar a
viver no estrangeiro
Constituir um conjunto de documentação e informação para, a longo prazo,
assegurar a continuação do projecto.
As grandes acções do projecto
- Informação e selecção dos quadros em Portugal
A acção visa clarificar para os potenciais beneficiários os
objectivos do projecto, definir com cada um um percurso individualizado de formação, de
regresso e de reinserção. A selecção far-se-à em estreita colaboração com as novas
autoridades timorenses, mas também na base das motivações individuais dos quadros.
- Formação em Portugal
Um formação será organizada para os quadros timoreses
participantes. Terá como temas principais o desenvolvimento local, a
reabilitação/reconstrução, a gestão do ciclo de projecto, a gestão financeira de
projecto, a comunicação, e as estruturas internacionais de apoio ao desenvolvimento. Se
uma parte da formação será organizada de maneira tradicional, o essencial é concebido
como uma formação-acção, permitindo aos participantes a definição do projecto
pessoal (individual ou colectivo).
- Apoio ao regresso
Um bilhete de regresso à Timor será oferecido aos quadros.
- Apoio pos-regresso em Timor
O apoio pos-regresso garante um acompanhamento dos beneficiários
nas primeiras semanas a seguir o regresso. Este acompanhamento cobre aspectos logísticos
(procura de casa, regularização administrativa, contacto com as famílias...) mas
também o apoio para um correcto arranque do projecto individual de reinserção, e a boa
articulação deste com o projecto global de reconstrução de acordo com as autoridades
timorenses e a administração provisória da ONU.
- Acompanhamento e coordenação
Ao longo do projecto o acompanhamento permitirá não só o seguimento
administrativo e financeiro, como a mobilização dos apoios complementares
indispensáveis : relacionamento com associações de desenvolvimento local, associações
empresariais, organizações do sector cooperativo..., e mobilização de financiamentos
permintindo o alargamento e a prolongação do projecto.