Em Timor Leste, a
violência de Setembro de 1999 ocasionou mortes, destruições, deslocações forçadas de
refugiados. A ajuda internacional para a reconstrução é lenta, pouco eficaz e tende a
deixar a comunidades timorense fora dos processos de decisão.
A província de Lospalos, na ponta oriental do território, acumula
razões para desespero: longe de tudo, parece ter sido esquecida e várias aldeias
continuam totalmente isoladas. É nesta província que a INDE iniciou, em Março de 2000,
um primeiro projecto de apoio à reconstrução.
E é nesta província que a INDE vai agora iniciar um projecto
complementar, coerente com a fase de reabilitação e com as competências da
organização, de uso de um media leve, a rádio comunitária, para permitir às
comunidades tomar um papel activo na reconstrução, permitir o reencontro de famílias
separadas e a difusão de programas de formação / educação nas áreas da saúde e do
desenvolvimento.
O projecto, viável graças à experiência da INDE e aos contactos já
existentes com uma presença activa na província, tem uma duração prevista de 6 meses e
prevê os instrumentos da sua sustentabilidade, através de um processo de transferência
para os actores locais e de uma parceria com outras ONG, com os representantes do povo
timorense no CNRT e com um projecto de maior escala da UNESCO.
O objectivo geral do projecto é permitir, através de um programa de
rádio comunitária, à população de Lospalos e das aldeias mais distantes e isoladas do
distrito de Lautem, participar activamente ao processo de reconstrução e reabilitação
em curso depois da onda de violência e de destruição de Setembro de 1999.
Os objectivos específicos são:
permitir o reencontro de famílias separadas durante os movimentos
de refugiados de 1999;
permitir o uso da rádio nas aldeias mais isoladas como instrumento de formação e
educação nas áreas da saúde, da reconstrução e do desenvolvimento de micro-projectos
locais, na utilização da língua portuguesa;
oferecer às populações mais isoladas e nas aldeias mais "esquecidas"
uma oportunidade de expressão e de mobilização para ter um papel activo nos projectos
de reconstrução;
ao longo do projecto, preparar a "transferência" para actores locais dos
equipamentos e da metodologia, para garantir a sustentabilidade das acções;
permitir à "diáspora" timorense, refugiada em Portugal, uma ligação
activa com as comunidades nas aldeias;
permitir a concretização de uma cooperação "Sul-Sul" original, com o
recurso a um formador da Guiné-Bissau para partilhar uma experiência única de uso de
rádio comunitária num contexto pós-guerra.