Este projecto desenvolve-se em duas
vertentes: a aplicada e as acções concretas de desenvolvimento. A fase aplicada é
centrada nas vantagens, condições e obstáculos de uma gestão descentralizada dos
recursos naturais, - analisam-se conjuntamente os aspectos institucionais,
sócio-económicos e jurídicos da descentralização com uma investigação comparativa
efectuada a partir de quatro realidades diferentes, duas no Brasil e as restantes na Costa
Rica. As acções concretas de desenvolvimento acompanham a emergência e a consolidação
de formas descentralizadas de gestão dos recursos naturais.
Parceria e organização
O projecto associa seis parceiros: dois europeus (GRET e INDE),
responsáveis pelo apoio metodológico, com vista ao estudo comparativo e quatro parceiros
na América Latina, dois na Costa Rica: o CEDARENA (Centro de Direito Ambiental, Recursos
Naturais e Ambiente, uma ONG especializada sobre as questões de direito ambiental); e o
FUDEU (Fundação para o Desenvolvimento Urbano, uma ONG de apoio à gestão municipal,
encarregue de uma componente da execução do programa piloto "Descentralização e
Municípios" do Ministério do Ambiente) e dois no Brasil: o LAET (Laboratório
Agroecológico da Transamazónica que realiza acções a nível municipal relacionadas com
a gestão dos recursos florestais e da pesca); e o CAT/Centro de Filosofia da UFPa, equipa
de investigação da Universidade Federal do Pará.
O trabalho de investigação baseia-se na confrontação dos níveis de
análise nacional e local. As acções de desenvolvimento terão como objectivo a
experimentação dos processos de negociação e de regulação dos conflitos existentes
em torno da gestão dos recursos naturais.
Regiões envolvidas
Os produtos do projecto são gerais e por país, consistindo em
estudos ao nível das quatro zonas e dos dois países, análises comparativas, propostas
metodológicas (estudos e intervenções de desenvolvimento) e avaliações das políticas
públicas, bem como propostas em matéria de gestão descentralizada dos recursos.
As acções incidem em quatro realidades sócio-económicas locais
diferentes:
1. Frentes pioneiras da Transamazónica,
região de floresta sujeita a fortes dinâmicas de fronteira agrícola.
2. Amazónia fluvial (Porto de Moz) possui dois grandes tipos de
ecossistemas: as zonas húmidas diversificadas (florestas de várzea, pastagens inundadas
e espaços haliêuticos ligados a um sistema fluvial complexo) e as florestas de terra
firme.
3. Área Protegida "La Amistad" e sua periferia, a
Cordilheira de Talamanca é uma região florestal declarada Reserva da Biosfera em 1982,
formada por uma área de conservação total (sem intervenção do homem), vários
territórios indígenas sob o estatuto de "reservas indígenas" e a fronteira
agrícola com colonos mestiços, iniciada na última década.
4. A região florestal funcionou como fronteira agrícola durante os
anos 70 e o início dos anos 80 e prima pela ausência de áreas protegidas e populações
indígenas.