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2000

 

- 24 de Outubro de 2000 -

OIM apoia o regresso de Nacionais Qualificados para Timor Leste

A OIM - Organização Internacional das Migrações está a apoiar o regresso de Quadros Timorenses através do Programa de Retorno de Nacionais Qualificados para Timor Lorosae. O programa vai apoiar o preenchimento de postos e trabalho em Timor e os candidatos a trabalhador por conta própria que queiram contribuir para a reconstrução e desenvolvimento do território.

Este programa elaborado em articulação com o CISPE (SEP - Serviços e Emprego Público) e a UNTAET (United Nations Transitional Administration for East Timor) destina-se a apoiar o retorno e reintegração de 300 nacionais qualificados para Timor, residentes no exterior e que pretendam regressar.

O objectivo principal do programa é o reforço dos recursos humanos e das capacidades técnicas do sector público e privado, através da reintegração de 300 profissionais timorenses especializados (habilitados com estudos secundários e superiores) assim como das suas famílias nucleares, para que ocupem postos de trabalho que não podem ser preenchidos por cidadãos residentes no território ou para prestar apoio técnico adicional onde este for mais necessário.

Podem ainda pedir apoio à OIM os candidatos a trabalhador por conta própria, com qualificações apropriadas e/ou experiência empresarial que pretendam desenvolver a sua acção no âmbito da reconstrução e desenvolvimento de Timor Leste.

Para mais informações contacte a OIM :
Praça dos Restauradores, nº 65 – 3º dtº
1250-188 Lisboa
Tel.: 21 347 5366/7; 21 324 0288
Fax.: 21 322 3866
E-mail: iomlisbon@iom.int
http://www.oim.pt

 

- 16 de Outubro de 2000 -

Comunicado da Associação Portugal Loro Sa’e
I Semana de Gastronomia Timorense

Timor Loro Sa'e esteve desde sempre no coração da maior parte dos Portugueses, facto que ficou bem patente nas manifestações populares de Setembro de 1999. Esta afinidade poderá parecer estranha e inexplicável, até porque o único contacto que muitos Portugueses alguma vez tiveram com Timor foi o proporcionado através dos orgãos de comunicação que lhes permitiram descobrir não só as belas paisagens dessa ilha paradisíaca, como a coragem e determinação do seu povo durante a longa luta pela independência.

Um dos objectivos da APLS é precisamente fomentar o fortalecimento deste misterioso elo de ligação entre dois povos tão distantes, através da divulgação da cultura Timorense no nosso país. Assim, no seguimento de todo o trabalho que temos vindo a desenvolver neste sentido, iremos brevemente realizar a nossa primeira Semana de Gastronomia Timorense.

Venha descobrir - ou reencontrar, para os felizardos que já tiveram a oportunidade de visitar Timor - delícias como o Sassate, o Batardan, a Singa de Polvo ou o Tukir. Os seus cinco sentidos vão conhecer Timor Loro Sa'e, através do aroma e do sabor da sua cozinha típica, do som da sua música tradicional e das palavras dos seus poetas, da visão e do tacto do seu artesanato. Tudo isto vai estar à sua espera no

Restaurante Algures na Mouraria
Rua das Farinhas nº. 1, Lisboa
De 30 de Outubro a 4 de Novembro (aberto só para jantares)

Nota: Dada a pequena capacidade deste estabelecimento (30/35 lugares) aconselhamos a reserva prévia através dos telefones: 91 922 30 80 ou 21 887 24 70.

Mais Informações
APLS - ASSOCIAÇÃO PORTUGAL LORO SA'E
R. Padre Gregório Verdonk, 4A - 1900-362 LISBOA
Tel./Fax: 21 792 87 99
Carmen Melo: 96 504 04 01
Carla Nunes: 91 925 93 94
Manuel d'Oliveira: 96 587 81 20
Anabela Alves: 96 532 49 35
Fernando Gonçalves: 96 602 51 45

 

- 2 de Outubro de 2000 -

Recolha de Livros Escolares para Timor
A distribuição

No movimento de solidariedade com o povo de Timor Leste, a INDE em parceria com quatro Centros de Formação de Professores portugueses iniciou, em Março deste ano, uma campanha de recolha de livros escolares para Timor. Hoje inicia o ano escolar em Timor e um pouco por todo país foi distribuída a solidariedade, em forma de livros escolares, dos jovens portugueses.

No terreno, técnicos da INDE fizeram um primeiro levantamento dos sítios onde poderia ser entregue este material. Ficou ponto assente que a maior parte das caixas sairia de Díli, visto ser aqui que o acesso a donativos é maior, em detrimento dos distritos mais afastados da capital. Mesmo assim, foram entregues algumas caixas ao futuro Instituto Superior de Economia e Gestão de Díli.

Saindo de Díli, depois de Baucau, há um suco chamado Tchai, onde a INDE travou conhecimento com o director de uma escola que foi totalmente destruída pela onda de violência das milícias e que tem pouco acesso as grandes distribuições de livros e material escolar. Ai foram deixadas com o director da escola, o Sr. Mateus, uma caixa de livros de Português, uma caixa de livros recreativos e uma caixa de material escolar.

Um pouco mais à frente e resultante de um contacto com o Padre João de Deus, residente em Laga há mais de 40 anos, e responsável por diversas paroquias da área, foram deixadas com este eclesiástico mais 11 caixas entre material escolar, livros escolares e recreativos que foram distribuídas pelas diversas escolas em redor.

Pelo facto da INDE estar a intervir com um outro projecto no distrito de Lautem e, mais propriamente, em Lospalos, na ponta leste da ilha, nada mais lógico do que fazer chegar até esta aldeia, mais isolada que qualquer outra, o grosso do material reunido em Lisboa.

Assim e em parceria com os três professores de Português enviados pelo Ministério da Educação para formarem os futuros professores da Língua Portuguesa no distrito de Lautem, fez-se uma distribuição de mais dez caixas com livros escolares que incluíam vários níveis de Português e alguns de Matemática e Ciências da Natureza.

Em Lospalos, a INDE esta a desenvolver um projecto de Formação Profissional e Reconstrução em parceria com uma outra ONG, os Médicos do Mundo – Portugal, responsável pela área da saúde no distrito. Foram doadas aos MDM-P, três caixas de livros recreativos e jogos para crianças, para criação, no Hospital de Lospalos, de uma pequena biblioteca para as crianças e utentes do Hospital, dentro do plano de acção desta ONG.

Ainda em Lautem, fez-se chegar a Pitileti, uma pequena aldeia a 20 km de Lospalos, mas com grandes problemas de acesso, duas caixas com livros e material escolar, destinadas à escola de uma das aldeias com mais crianças do distrito.

Embora a distribuição dos livros reunidos pela INDE não esteja ainda concluída, as restantes caixas irão seguir para Lospalos, para colmatar a desigualdade de acesso aos donativos internacionais que chegam a Timor Leste, mas que acabam por permanecer em Díli, em detrimento das áreas mais isoladas e com mais dificuldades do território.

 

- 5 de Abril de 2000 -

Recolha de Livros Escolares Para Timor

Três centros de formação, Centro de Formação Contínua dos Professores de Cascais, Centro de Formação António Sérgio e o Centro de Formação de Professores Luís António Verney-SNPL, estão a recolher livros e materiais escolares junto das escolas associadas, que serão enviados para Timor.

Constatou-se que alguns dos livros até então enviados não se adequavam nem á realidade Timorense nem ás necessidades actuais sentidas pelas populações, e como tal são completamente inutilizáveis tendo apenas constituído uma perda de recursos. De modo a evitar a repetição de tal situação, elaborámos a seguinte lista de prioridade dos livros que são mais carênciados de momento em Timor:

• Gramáticas Didácticas, ou seja, de iniciação á aprendizagem do português
• Dicionários Didácticos de português (se possível, ilustrados)
• Livros de Literatura Infantil
• Atlas Escolares
• Livros de divulgação científica e de conhecimentos Universais (sobre as montanhas, o corpo humano, o ciclo da chuva, os animais, as flores, etc ...)
• Publicações lúdico pedagógicas de iniciação á Matemática, Ciências e Geografia
• Materiais escolares, de preferência cadernos, borrachas e lápis

Esta iniciativa levada a cabo pelos três Centros de Formação, que promovem a divulgação desta actividade bem como a recolha dos livros e materiais, conta com a coordenação logística da INDE.

Até ao dia 10 de Maio, as escolas poderão entregar a caixa contendo os livros e materiais recolhidos, nos Centros de Formação da sua área. Nos finais de Junho, um contentor com os livros e materiais recolhidos chegará a Dili, e irão ao encontro de pedidos previamente identificados. O transporte e distribuição dos livros em Timor é da responsabilidade da INDE.

Esta iniciativa é desenvolvida por:

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Centro de Formação Contínua dos Professores de Cascais
Esc. Sec. São Jõao do Estoril
Rua Brito Camacho
2769-501 Estoril
Centro de Formação António Sérgio
Esc. Sec. Professor Herculano de Carvalho
Av. Dr. Francisco Luís Gomes
1800 Lisboa
Centro de Formação de Professores Luís António Verney - SNPL
Lisboa

Av. Padre Manuel Nóbrega, 4 - 2º
1000-224 Lisboa
Porto
Praça da República, 93 - 6º - sala 1
4050 Porto
Chaves
C. Comercial Charlot, Lj. 17- 1ºPiso
5400 Chaves

 

- 21 de Março de 2000 -

Primeiras experiências de
Rádio Comunitária em Timor

Uma equipa que reúne diversas entidades tem realizado algumas experiências de rádio em várias regiões de Timor, com o objectivo de sensibilizar e envolver as comunidades locais no conceito de rádio comunitária. As primeiras experiências têm, pelo menos, despertado a curiosidade da população.

As experiências tiveram lugar nas ruas de Manatuto, principalmente com crianças pequenas; em Baucau, no mercado municipal com dois representantes do CNRT que explicavam o conceito de uma rádio feita pela e para a comunidade; em Lospalos, onde e com o apoio de alguns líderes do CNRT e da Igreja, mais de 60 pessoas, entre as quais, agricultores e estudantes discutiram a possibilidade de realizarem programas de rádio. Sobre a utilização da rádio, um agricultor explicou: "Se estamos no campo durante todo o dia, o que podemos saber sobre o resto do mundo se não fosse a rádio ? "

Ao principio não foi fácil explicar a diferença entre Rádio comunitária e as transmissões da UNTAET, via rádio, disponíveis apenas em Díli, não chegando ainda a outros distritos.

A dirigir estas experiências está Louie Tabing e Romy Carballo, Engenheiro Senior de Transmissões também de Tambuli; Choy Arnaldo, da sede da UNESCO e Griet Dierckxsens, membro da equipa das Nações Unidas do Gabinete de Comunicação e Informação Pública da UNTAET, em Díli.

Todas as comunidades visitadas demonstraram vontade em participar num projecto de rádio comunitária. Em Baucau e Lospalos, foram os próprios líderes da comunidade a pegar no microfone e explicar o projecto às pessoas que se juntavam e às que ouviam em Fatloka, no Pacífico.

A UNESCO com alguns fundos de Portugal e uma contribuição da USAID providenciará formadores e equipamento. A maior contribuição será a da própria comunidade – do seu tempo, da sua habilidade, organização e criatividade em fazer programas, dirigir operações técnicas e assumir a gestão diária de uma rádio. "É fácil ligar um transístor, é mais difícil ligar uma comunidade", afirma Romy Carballo.

Para mais informações, pode consultar na Internet:
http://www.unesco.org/webworld/news/00_special_timor_story_6.shtml

 

- 8 de Fevereiro de 2000 -

Depois das Lágrimas
A reconstrução de Timor Leste

Um livro coordenado por Jill Jolliffe e editado pela INDE

Após 24 anos de uma ocupação indonésia brutal, Timor Leste ganhou a sua liberdade – a um preço que ninguém poderia prever. Das cinzas de uma terra traumatizada, vai nascer agora a nova nação de Timor Lorosae. Durante muitos anos ignorado pela comunidade internacional, Timor assiste diariamente à chegada de novas equipas de peritos estrangeiros. Será novamente silenciada a voz do povo de Timor Leste, desta vez pelas organizações da ajuda humanitária? Autores timorenses e não só discutem aqui o perigo do neo-colonialismo e dão a sua visão sobre a nova nação. Os crimes de guerra, a economia, os problemas das vítimas de violações e de tortura, a escolha de uma língua nacional, e o aproveitamento das infra-estruturas criadas antes de 1974 na construção de um novo Timor, são alguns dos assuntos em debate.

 

- 5 de Janeiro de 2000 -

A opção do português e seus problemas

Reconstruir Timor : a tarefa é imensa. A INDE publicará, no início de 2000, um livro com contribuições de autores timorenses, portugueses e australianos. Desde já, iremos propôr no sítio web da INDE vários extractos dos vários capítulos em preparação.

(...)
A sociedade timorense é hoje uma sociedade totalmente fragmentada, não só no aspecto cultural como na etnia do seu desenvolvimento. Até 1975 os que falavam português eram uma esmagadora minoria, apenas uma camada evoluída nas cidades falavam muito precariamente o português. Com o golpe de Agosto de 1975 e com a invasão indonésia, aos poucos muitos timorenses seguiram para Portugal e para a Austrália. Estes, estacionaram-se lá e tornaram-se aos poucos portugueses ou australianos. Estudavam o português, sentiam-se mais portugueses. Outros, a maioria, não podia sair para Portugal foram subjugados e forçados a sobreviver nas sombras de uma nova língua e uma nova cultura, mas preservando uma heróica resistência pela libertação da pátria. Era uma nova geração que por crescer na guerra desconhecia os valores culturais e a língua portuguesa. Aos poucos cresceram num ambiente cultural totalmente diferente do Português e expressavam-se mais fluentemente na língua indonésia, língua esta que os fez crescer apesar do regime desta mesma língua os esmagar. Com o correr dos tempos foram se formando nas universidades indonésias e constituem hoje a composição da nova geração evoluída que se encruzilha numa paranóia cultural. Que fazer agora?

Uns optam, por razão ou por saudosismo cultural, pela adopção da língua portuguesa como língua oficial de Timor Loro Sae (Timor Leste, no meu parecer!), por uma lógica de "contra o agressor". Não preferem o indonésio por considerar que a língua indonésia é a língua do ocupante. Será esta uma razão genuína sem tendências políticas? Claro que não na sua extensão histórica de Timor Leste. Não, na medida que apreendemos a história. Não, na medida que compreendemos objectivamente o processo do desenvolvimento colonial e histórico da nossa Mãe Pátria. Creio aqui dizer de que devo discordar plenamente a razão-lógica da opção do português fundamentado na concepção da língua do agressor. Isto porque o PORTUGUÊS também é língua do colonialista que nos oprimiu durante quatrocentos anos e que, depois, nos abandonou durante 24 anos. Hoje, o Portugal Novo, está determinado a fazer TUDO por Timor Leste! Mas será que este TUDO é suficientemente como RAZÃO para desvirtuarmos o passado que nos deshumanizou como povo e como Nação? Claro, é uma pergunta difícil de ser respondida, e tudo depende do senso comum e da integridade moral e política de cada um.
(...)

© inde 2000

 

Avelino Coelho da Silva ("Shalar Kosi") nasceu em Laclubar em 1963, numa grande família de nacionalistas timorenses identificados com o Fretilin. Passou parte da sua adolescência nas montanhas fugindo do exército indonésio, com a guerrilha dos Falintil. Em 1988, iniciou um curso superior em Bali, enquanto trabalhava para a frente clandestina da resistência, na qual teve um papel importante depois de uma recusa a um pedido de asilo político na embaixada do Vaticano em Jacarta em 1989. No ano 1990, foi fundador da Associação Socialista Timorense (AST), que atrai estudantes e trabalhadores timorenses na Indonésia bem como em Timor Leste, e constitui um elo de ligação com alguns sectores indonésios (a AST transformou-se no Partido Socialista Timorense em 1998). Depois de membros da AST terem sido acusados de envolvimento num ataque bombista em 1997, Avelino e a família entraram na embaixada austríaca em Jacarta, onde tiveram asilo mas de onde não foram autorizados a sair pelas autoridades de Jacarta.
Shalar Kosi ficou recluso na embaixada durante mais de um ano, saindo só em Abril de 1999, um longo tempo depois da queda de Suharto. Licenciado em direito pela Universidade Jagakarsa de Jacarta, foi nomeado no final de 1999 como um dos sete Timorenses para servir no Conselho Consultivo junto da Nações-Unidas, a mais importante instância política durante o período de transição para a independência.

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